segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

foto em movimento

Aos olhos, o pus me vem da nuca.
Sim.nuca.
fotografia agoniada e distorcida
passageira do tempo...

Em breve, em vida ou em morte
Carcomido o mármore
De baixo da terra some.

Os olhos me mordem
Babam uma espuma branca
E querem a dentes te arracar o coração
meu.

Gralhas negras, corvos... pios
Chegam à noite se contorcendo
Como um verme num travesseiro
...

O verme

Esse verme brota dum chão seboso,
Sob o qual uma carne pútrida.
Some a terra, o corpo podre desaparece.
A sua volta há uma luz amarelenta

Mal a reconhece
Não a reconhecendo
Se contorce no vácuo
E ali permanece.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O um pardal curioso

Havia fora uma árvore cheia de folhas verdes. Era uma goiabeira quando mais tarde olhei de perto. Em uma das folhas se concentrava um coletivo de lagartas filhotes.

BAM

O quarto era claro, bastante claro, branco de claro, com poucos móveis dispostos de forma a serem mudados de lugar assim que achassem propício e necessário. A janela simples tinha a parte de vidro transparente fechada.

Na árvore um pardal pousara num dos galhos leves da goiabeira mexendo sua cabecinha para lá e para cá num ritmo semelhante ao ritmo das folhas tocadas pela brisa. Olhava fixamente em direção ao vidro.

BAM

Abri a janela de vidro.
O pardal havia voado.

Não pude deixar de pensar que o que havia dentro do quarto interessava ao pardal. Não pude deixar de pensar, quando reparei na trajetória de seu vôo, que não era seu próprio reflexo que o interessava (talvez pardais não reconheçam seu reflexo). Não pude deixar de notar que talvez tenha se interessado por algo que, de onde estava, não pudera enxergar na árvore real.

Em todo o caso, talvez tivesse visto um inseto no chão do quarto, que de onde eu estava, não tenha percebido e que quando dei por mim, ambos tinham alçado vôo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Labirinto íntimo

Espuma e neblina me cegam o tempo inteiro
Se transformam em cinzas e queimam dentro do meu peito
Me cortam, me rasgam, esfolam meus sentidos
Sem sentidos me deixam um zumbido no ouvido

E essaz mozcaz malditaz não deixam minhá cabeça
Meu cérebro guincha com picadaz já de vezpaz

Que me arranham, me cobrem
E sem pudor me consomem
Espalham seu veneno

Então me jogam, me largam
Num labirinto profundo
E viciam em si mezmaz

(parte meio que falada)

"Me cortam, me rasgam
Atravessam meu peito
então me cegam, me calam
Arrastam meu corpo
Construindo muralhas
Então elas envolvem
Meu castelo de cartas
de baralho..."


Espuma e neblina me cegam o tempo inteiro
Se fazem em cinzas e cremam sobre o meu leito
Me cortam, me rasgam, esfolam meus sentidos
Sem sentido( ) me deixam um zumbido no ouvido

E as mentiras que acasalam
na minha mente me falam
Que vc mente pra mim

E nesse lodo viscoso
eu me escorrego de novo
Tecido a fino capim

Vanish.........

Vanish.........